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sexta-feira, novembro 28, 2008

Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas. Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa? (Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.) Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço. Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

- Caio Fernando Abreu
Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87



quarta-feira, novembro 26, 2008



c.o.n.t.i.n.u.a.r


É preciso quando se tem motivos, alegrias apesar das tristezas, amigos que nos querem bem, quando se tem saudade, mesmo que dê aquela coisinha e você diga: resista...já foi pior, quando se tem horários e eles voam, atropelam o que está por vir e chateiam o que não deu pra cumprir, quando apesar do vento lá de fora tem um azul no céu com cara de "vem pra cá"

c.o.n.t.i.n.u.a.r



segunda-feira, novembro 24, 2008

Caminhando

Fui visitar meu velho no domingo, foi uma festa subimos os quatro, passa de um mes a internação, e nem sinal de saberem o que ele tem., aparentemente tá melhor, com rosto corado, mas tanto tempo na cama fez a tal da ferida de nome estranho, curativos e cuidados, hoje entrou um antibiótico pra ajudar.É triste ver um homem como meu pai que nunca reclamou de nada em cima de uma cama sem previsão de alta.
Deus tá tomando de conta, e com certeza a festa quando ele for pra casa será grande.



sexta-feira, novembro 14, 2008



As vezes abro aqui, olho e saio sem um pingo de vontade de dizer alguma, to muito cansada, chateada, tenho dito tanto isso aqui que me torno repetitiva, não sei disfarçar, nem sei dizer que tá tudo bem, as vezes prefiro não dizer, nem todo mundo gosta de lamurias, de momentos não tão bons.
Tenho certeza que vai passar, aliás já está passando, eu só preciso me organizar e começar de onde parei.



sábado, novembro 08, 2008



Eu tenho Fé que meu velho vai sair dessa.



quarta-feira, novembro 05, 2008

Aqueta querido amigo, olha a arvorezinha...aquela do tubinho que ganhei no pedágio, tá no vaso (hospital) é lá que coloco mudinhas até que fiquem fortinhas pra ir pra terra mesmo. Logo vai pro gramado que eu te disse, to só esperando terminarem umas obras da prefeitura daqui. Te mostro quando for pra lá tá.
Li seus recados, valeu meu amigo por se preocupar comigo.
Um beijo







Como o tempo passa né?

Uma eternidade sem dar o ar da graça por aqui.
Desculpe quem vem me ver, tá acontecendo de tudo na minha vida... eu to feito cachorro em dia de mudança, sem saber pra que lado ir.



Tatinha foi pra BH com a peça, ficaram tres dias, apresentaram-se dia 31/10 e foi um sucesso, tem mil fotos expalhadas por aí, que ainda vou juntar pra por no Flickr.



Eu já fui ver, e fiquei feito boba sem acreditar que era minha filha.
A peça é ótima muito bem escrita e interpretada.




Lá em Belo Horizonte (felizes)
Logo terá a premiação...Bem pra nós pais, já temos o premio.